A introdução de espécies aquáticas invasoras em novos meios marinhos não só afeta a diversidade biológica e a saúde do ecossistema, como também tem inúmeras repercussões económicas em setores como a pesca, a aquicultura no setor marítimo e a apanha de marisco.

Nesse sentido, abordar as espécies aquáticas invasoras não é apenas uma questão de garantir a saúde e a integridade dos ecossistemas marinhos, mas, em última análise, de proteger os serviços dos ecossistemas que sustentam os meios de subsistência das comunidades costeiras de todo o mundo.

Ameaça Global: A propagação de espécies invasoras é atualmente considerada uma das maiores ameaças à ecologia e ao bem-estar económico do planeta. Estas espécies estão a causar enormes danos à biodiversidade e à valiosa riqueza natural da terra da qual dependemos.

Os efeitos diretos e indiretos sobre a saúde são cada vez mais graves e os danos no meio ambiente são frequentemente irreversíveis. Por outro lado, produzem um grande impacto económico nos setores que dependem do meio costeiro e marinho, como o turismo, a aquicultura e a pesca, bem como danos dispendiosos nas infraestruturas.

Algas Invasoras nas Rias Baixas

As Rias Baixas enfrentam uma crescente ameaça devido à proliferação de algas invasoras, destacando-se as asiáticas Rugulopteryx okamurae (detetada em Vigo e Arousa) e Sargassum muticum (sargaço) com ampla presença e expansão nas Rias Baixas, deslocando espécies nativas e afetando a biodiversidade. Estas algas e outras como a Undaria pinnatifida (Wakame) e espécies locais como a Ulva lactuca, geram graves problemas ecológicos, saturando o fundo marinho e prejudicando a pesca e a apanha de marisco.

Espécies-Chave

Sargassum muticum Ampla distribuição por toda a faixa costeira galega, com maior presença nas Rias Baixas, sobretudo na Ria de Vigo e Pontevedra e ausente em alguma das rias altas.
Rugulopteryx okamurae (Alga asiática) Identificada com forte presença em Vigo, Pontevedra e Arousa. Cobre o substrato, reduz o oxigénio e afeta a biodiversidade nativa.
Asparagopsis Taxiformis (Macroalga) A sua presença foi localizada no último ano dentro das Rias Baixas em pequenos núcleos dispersos, macroalga tropical com grande poder de transformação.
Undaria pinnatifida (Wakame) Alga exótica, frequentemente cultivada, que se comporta como invasora no ambiente marinho galego.
Ulva lactuca e Ulva intestinalis Embora sejam comuns, a sua proliferação excessiva (especialmente no contexto de mortandades) representa um problema de eutrofização e acumulação nas praias.
Saccorhiza polyschides y Laminaria ochroleuca Espécies que formam grandes mantos no litoral.

Impacto e Resposta

Impacto Económico e Ecológico: As algas, principalmente a R. okamurae, emaranham artes de pesca, cobrem mariscos e geram custos de limpeza nas praias. Além disso, outras ameaças como o parasita Marteilia cochillia devastaram bancos de berbigão.

Gestão Ativa: Estão a ser realizadas tarefas de monitorização, formação e gestão, avaliando inclusive a utilização dos resíduos para compostagem como parte de uma economia circular.

Projeto Census & Green Ship

O Projeto Census centra-se na criação de mapas de localização das diferentes espécies invasoras, com especial ênfase na deteção e localização da espécie Rugulopteryx okamurae.

Rede de Alerta Precoce: Procuramos desenhar e implementar protocolos para a deteção precoce em novos pontos de distribuição, estabelecendo ferramentas para uma intervenção rápida que minimize o impacto.

Antecipar o avanço da espécie permite uma preparação antecipada para gerir a sua evolução e expansão, aumentando as garantias de sucesso e otimizando os recursos. Este estudo pioneiro no mundo (CENSUS-INVASORAS) oferece oportunidades únicas para estabelecer padrões de crescimento e expansão, localizar e descobrir novas espécies invasoras como a Asparagopsis Taxiformis, que representam um grande risco devido à sua taxa de expansão e capacidade de alterar os ecossistemas marinhos nativos.

Graças ao Projeto Green Ship, abordamos o controlo da introdução através de indivíduos fixados nos cascos e águas de lastro. É essencial complementar isto com a observação de colónias já presentes para evitar a sua expansão.

O Projeto Census desenvolve-se inicialmente nas Rias de Vigo e Arousa, mobilizando mais de 500 pontos de mergulho onde será catalogada a incidência e repercussão do avanço destas espécies, um trabalho essencial para determinar planos de ação eficazes sem quebras de produção.

Mapa y Contenidos Gráficos

Através del Mapa Interativo é possível acompanhar a investigação e aceder a todos os registos gráficos de cada Ponto de Mergulho. Todos os dados são de domínio público e podem ser acedidos sem restrições.

📍 Ver Mapa de Pontos de Mergulho